Tenho aberto a tua janela para ver se estás perto, ou se pelo menos consigo sentir-se assim, desta distancia daqui para aí e daí para aqui. Eu sinto que estás e então levo um pedacinho da cortina da janela, para que em vez de te sentir perto, sinta-te mais perto. Ando com o pedacinho no autocarro, na faculdade, na rua e no elevador que me trás de novo a casa. A noite cerra e então procuro-te de novo na janela, rasgo um pouco de cortina e continuo contigo no parapeito, olhando pra mim e eu pra ti, retribuindo o desejo e a vontade de colar na cara um do outro; mas ambos sabemos que o melhor é olhar e deixar quieta a ansiedade da aproximação e vagarosamente saborear a saudade como se fosse o antecipar de um momento da qual nunca mais esqueceremos. Espero eu, pelo menos.

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